O encontro com o autor Daniel Munduruku tornou a terça-feira, 4/9, mais alegre para o 4º ano. O livro “Memórias de um Índio – uma quase autobiografia” foi o fio condutor da atividade, que integra o estudo sobre o povo e a cultura indígena. “Temos um carinho muito especial pelo trabalho de Daniel. Há pelo menos 10 anos, o 4º ano trabalha com textos do escritor em aula”, explicou a coordenadora pedagógica da etapa Ianne Ely Godoi Vieira. 

Nascido em Belém/ PA, o autor, formado em Filosofia, com licenciatura em História e Psicologia, é filho do povo Indígena Munduruku. Em seus livros, aborda a questão do respeito e da tolerância em relação ao outro e a importância da cultura indígena na formação da sociedade brasileira. “A nossa cultura mostra que não somos donos de nada e, sim, somos parte de alguma coisa. Como a natureza. Não somos donos de uma árvore, mas somos parte dela”, falou. Ainda sobre a relação do povo indígena com a natureza, Daniel acrescentou: “A floresta nos ensina a observar e a ficar atentos. Para conviver com a floresta temos que estar 100% inteiros”

No Colégio João XXIII, Daniel começou sua fala na língua indígena munduruku, saudando e ensinando às crianças algumas expressões originárias de sua tribo. Falou sobre a importância de se estar presente e do significado do “encontro” para o seu povo. “O verdadeiro encontro é aquele em que a gente aprende e saímos melhor dele. Infelizmente, na nossa história, tiveram muitos desencontros e hoje, aqui na escola, podemos fazer um reencontro e olhar uns para os outros”, disse. “Me sinto lisonjeado e agradecido por este momento com vocês. Minha surpresa em ver vocês lendo o livro ‘Memórias de Índio – uma quase autobiografia’ foi grande, porque escrevi ele pensando num público com um pouco mais de idade. E saber que vocês estão curtindo e compartilhando a leitura com as famílias me deixa realizado”.

A mãe do aluno Antônio Feltes, do 4° H, além de compartilhar da leitura, compartilhou do momento do encontro. “Eu li alguns capítulos com a minha mãe e ela veio assistir ontem a atividade também”, disse Antônio, lembrando do que mais gostou: “Achei bem legal as regras do avô Apolinário sobre o não se importar com as coisas pequenas e que todas as coisas são pequenas”.              

A leitura do livro está entre as atividades do “Projeto Desvelar”, que vai proporcionar ao 4º ano a saída de campo com viagem de dois dias e uma noite para as Missões, onde a gurizada tem contato com as edificações. 

 

Saiba mais sobre o Projeto Desvelar aqui:

- Livro “Memórias de índio” incentiva alunos a criarem cocares

- Missões: uma viagem de muitos aprendizados

Alunos dos 4º e 5º anos têm novas experiências