Uma historia de amor entre o cinema e a literatura foi exibida ontem, dia 4 de outubro, quando aconteceu a “XVI Mostra de Curtas: Uma escola de Cinema” do Colégio João XXIII.  Foi a 16ª edição do evento que, durante esse período, já produziu 157 filmes. Os grandes vencedores da noite foram: “A primeira vez” (melhor filme e melhor roteiro), Noite do Almirante (júri popular e trilha sonora), “Branco Escarlate” (melhor figurino), “A mulher no espelho (fotografia), Amália Garcez (melhor atriz), Pietro Alberto Boscolo (melhor ator), Cássio Fonseca (melhor ator coadjuvante) e Francesca Fraccioli (melhor atriz coadjuvante).

A noite – apresentada por João Boeira e Clara Stark, ambos do 2º ano do Ensino Médio – começou com uma primorosa retrospectiva de todas as edições da Mostra. No texto de abertura, os estudantes destacaram a importância do cinema, nesses tempos de exposição excessiva à mídia. “O cinema é coletivo e essencial no ambiente escolar por quebrar barreiras e desenvolver inteligências que vão além das impostas para o vestibular”, destacou João. E Clara completou: “Assim, para nós (...), é um privilégio vivenciar, no ambiente pedagógico, essa experiência (...). Ainda mais considerando a época conturbada pela qual estamos passando (...) de divergências e desrespeito”.

Projeto multidisciplinar, a Mostra conta com a coordenação pedagógica de Mirian Zambonato e orientação educacional de Silvia Hervella, envolvendo os componentes curriculares de Literatura, Língua Portuguesa, Redação, Arte, Língua Inglesa e Língua Espanhola, representados pelos professores Ibirá Souza Costa, Eduardo Rosa Almeida, Aline Braga de Lima, André Luis da Rocha, Helena Rocha Cesar, Letícia Finkenauer e Janaína de Pinho Silveira.

Os protagonistas, entretanto, são os estudantes. Eles atuam, dirigem e desempenham todas as funções na pré-produção, produção e pós-produção cinematográfica. Assim, vivenciam a experiência do trabalho coletivo de forma lúdica e criativa, circulando por diversas áreas do conhecimento, exercitando a resolução de problemas, o gerenciamento de conflitos e a compreensão das diferenças. Para isso, são preparados em aula orientados por profissionais ligados à produção cinematográfica, como cineastas e roteiristas. Além disso, contam com um manual elaborado pela equipe pedagógica e com a colaboração dos familiares. 

Pais, mães, avós, irmãos, irmãs, primos, primas, tios, tias, madrinhas e padrinhos compareceram em massa na Mostra. Com direito a torcida organizada e emoções a flor da pele, os filmes foram exibidos em sequência sendo julgados pelos jurados a professora de Arte Clarisse Normann, o cineasta Gabriel Mayer, o diretor de cena Arion Engers Moreira, o designer e membro da equipe de Comunicação da Escola Patrick de Medeiros e o cineasta e pai de ex-aluno do João XXIII Guilherme de Castro Neto. Encerrada a noite, observando o entusiasmo contagiante a sua volta, Avion Engers Moreira e Rodrigo Schuster, ambos membros do júri, conversavam sobre algo singular identificado na produção dos curtas. “Eles fizeram uma releitura e atualizam os textos originais. Por exemplo: em certos contos sobre a violência contra a mulher, a vítima é apresentada também como culpada, mas os estudantes conseguiram tirar essa culpabilidade”, chamou a atenção Rodrigo. “Alguns historiadores dizem que a parte mais importante da cultura é a que não se fala. Pois isso aconteceu aqui: os participantes conseguiram dizer o que não era falado nos contos”, resumiu Arion.

Participantes da Mostra 2018

Em 2018, os concorrentes, produzidos pelos estudantes da 1ª série do Ensino Médio e baseados em contos de escritores famosos, foram: 

 

- “A mulher do farmacêutico” (Adaptado do conto homônimo de Anton Tchekhov); 

- “O Barba Azul” (Adaptado do conto homônimo de Charles Perrault); 

- “A primeira vez” (Adaptado do conto “O primeiro beijo”, de Clarice Lispector); 

- “A queda da Casa de Usher” (Baseado no conto homônimo de Edgar Allan Põe); 

- “Fome” (Adaptado do conto “Um artista da fome”, de Franz Kafka); 

- “Venha ver o Pôr do Sol” (Lygia Fagundes Telles); 

- “Noite do Almirante” (Baseado do conto homônimo de Machado de Assis.); 

- "Branco Escarlate” (Adaptado do conto “O Contrabandista”, de Simões Lopes Neto.); 

- “Último encontro" (Baseado no conto “Venha ver o pôr do sol”, de Lígia Fagundes Telles); 

- “A mulher no espelho” (Baseado no conto “A mulher no espelho”, de Virgínia Woolf).

 

 Saiba mais sobre esta edição:

1ª série do EM convida a comunidade para a 16ª Mostra de Curtas