Prezadas Famílias, Profissionais e Grêmio Estudantil do Colégio João XXIII,

Iniciamos um novo ano, trazendo o já vivido e as experiências de 2018 como aprendizagem que nos impulsiona a projetar o futuro com reiterada responsabilidade e esperança.

Imbuídas deste sentimento, representando os serviços de Coordenação Pedagógica, Orientação Educacional e Psicologia, dirigimo-nos a vocês para reafirmar valores e princípios que correspondem ao ideário de nossa escola comunitária. Princípios e valores que, diante da complexidade do contexto atual e de suas múltiplas interpretações, demandam um posicionamento técnico-pedagógico.

Destacamos, como pressuposto fundamental, a escola como espaço potencial de cidadania. Entendemos assim, o conceito de cidadania articulado ao de escola, compreendendo esta última tal qual afirma Henri Giroux: "um locus para a cidadania". Em consonância, Hannah Arendt compõe esta ideia ao dizer que "o espaço da Escola é um conjunto concreto de condições de aprendizagem onde as pessoas se reúnem para falar, para se envolver em diálogo, para compartilhar as suas histórias e para lutar juntas através de relações sociais que fortaleçam, em vez de enfraquecer, as possibilidades de uma cidadania ativa".

Nesta perspectiva, também alinhada com o que expressam documentos e referenciais legais para a Educação Nacional, nossa Escola assume o compromisso com o direito de crianças, de jovens e de adultos desempenharem um papel ativo, crítico e criativo na sua própria vida e diante do mundo em que vivem, a partir de múltiplas lentes de leitura da realidade, as quais são a base da cidadania e da convivência plural e democrática.

“Tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva, condição para a cidadania e para o aprimoramento do educando como pessoa humana, as escolas devem se constituir em espaços que permitam aos estudantes valorizar: a não violência e o diálogo, possibilitando a manifestação de opiniões e pontos de vista diferentes, divergentes ou conflitantes; o respeito à dignidade do outro, favorecendo o convívio entre diferentes; o combate às discriminações e às violações a pessoas ou grupos sociais; a participação política e social; e a construção de projetos pessoais e coletivos, baseados na liberdade, na justiça social, na solidariedade e na sustentabilidade.” (Base Nacional Comum Curricular, 2018)

Em consenso com esta diretriz, nosso projeto pedagógico concebe o conhecimento, a cultura e os valores como socialmente construídos, num processo dialógico e de co-protagonismo entre professores, crianças, jovens e famílias. Assumimos assim, um contraponto à ideia de conhecimento como uma verdade imutável, reconhecendo o mesmo como dependente de perspectivas, produzido de maneiras diversas e dinâmicas de acordo com o contexto social e histórico. Em consequência, a escola não é lugar de mera transmissão e repetição de um conjunto de conhecimento neutro, universal e absoluto. Torna-se para nós, espaço e tempo de relacionamentos e  aprendizagens que valorizam o encontro ético entre pessoas, saberes e perspectivas múltiplas de compreensão do mundo. Um lugar de necessária abertura empática e escuta recíproca, de reflexão, de debate, de tolerância, de valorização do contraditório, de construção de sentidos e de saberes compartilhados, numa indissociável promoção da autonomia intelectual e moral, do desenvolvimento de competências cognitivas e valores humanos e planetários, como respeito, cuidado, cooperação, justiça e solidariedade.

Defendemos, assim, a escola como um espaço genuinamente político, não partidário, em que se exerce o direito de ser, pensar, expressar, aprender e conviver, num exercício cotidiano que conjuga liberdade e responsabilidade, singularidade e pluralidade, individualidade e bem-estar coletivo, princípios essenciais na construção da cidadania. Assim, um projeto educativo que legitima a existência de diferentes posições e concepções de mundo, contrapõe-se à ideia de doutrinação, pois significa promover a formação de cidadãos a partir de um olhar crítico que respeita e valoriza as diferenças.

Neste horizonte educativo, crianças e jovens constroem suas trajetórias e narrativas de mundo não apenas como “cidadãos do futuro”, mas protagonistas do presente. Suas famílias e seus professores assumem papéis fundamentais, distintos e complementares nesta construção compartilhada, o que pressupõe a tessitura de uma rede de cuidado, de confiança e de apoio entre família e escola, num exercício de reciprocidade capaz de legitimar o espaço escolar como uma verdadeira comunidade de aprendizagem, uma organização humana solidária e fértil culturalmente.

Enquanto profissionais da educação, reafirmamos que nossa atuação pressupõe o desenvolvimento de competências técnicas e relacionais, maturidade pessoal e profissional, evidenciadas numa postura ética e numa prática educativa comprometida com o cultivo de valores de comunidade, democracia e humanismo. Educar hoje, num mundo caracterizado pela intolerância, pelo individualismo, pela exclusão e pela insegurança, significa ser contraponto corajoso que reconhece que o ensino não é apenas uma prática cognitiva e intelectual, mas também social e emocional, todas aquelas dimensões que estimulam a paixão de ensinar e aprender.

Desta forma, buscamos convidar nossa comunidade para um redirecionamento dos tensionamentos do ano que passou e dos tempos atuais, oferecendo uma nova lente analítica diante das concepções e princípios que fazem do Colégio João XXIII uma escola única, humana e diversa para todos aqueles que tiverem mentes livres e corações abertos a este ideário em educação.

Feliz Novo Ano!

Atenciosamente,

Direção Pedagógica Interina

Ianne Ely Godoi Vieira (Coordenação Pedagógica do 1º ao 5º ano);
Márcia Elisa Valiati (Coordenação Pedagógica da Educação Infantil);
Rosa Maria Limongi Ely (Coordenação Pedagógica do 6º ao 8º ano);
Mirian Zambonato (Coordenação Pedagógica do 9º ano ao Ensino Médio).