No início das aulas, a contadora de histórias Fabiana Souza inverteu os papéis com a comunidade escolar ao propor que estudantes, profissionais, mães, pais e responsáveis contassem histórias para ela. Sentada em um puff no pátio do Colégio João XXIII, Fabiana ouviu enredos de verão, de amor, histórias tristes e alegres, com final feliz e até mesmo sem final. “Carregamos muitas histórias dentro de nós e ao contá-las, muitas vezes, revivemos memórias adormecidas ou esquecidas. A contação de histórias é uma possibilidade de encontro com o outro e consigo mesmo, porque resgata o olho no olho, o coração com coração, às vezes tão difícil na era digital”, falou Fabiana. 

Inspirada no projeto da artista paulistana, Ana Teixeira, que tricotava enquanto ouvia narrativas pelas ruas de São Paulo, a contadora da Escola adaptou a ideia para o João. “Enquanto as pessoas contavam suas histórias, eu tecia um filtro dos sonhos. Como se a cada fio puxado uma nova trama começasse e, durante a escuta, muitos fios foram cruzados, trançados, emaranhados, assim como na vida real”, disse Fabiana que nessa atividade se transformou em "escutadora de histórias". “Sou grata por confiarem a mim tantas memórias. Me sinto honrada em ser a guardiã dessas histórias", agradeceu a contadora, que pretende retomar a atividade na volta das férias de julho. “É um projeto acolhedor, que tem a ver com a volta às aulas”, apontou Fabiana.