Reconhecer e afirmar as diversidades está na proposta humanista do Colégio João XXIII. Integrada com essa proposta e atenta ao cenário esportivo mundial, a equipe de Educação Física desenvolveu um projeto a fim de dialogar com a Copa do Mundo de Futebol Feminino, que começou no dia, 7/6, na França. A mesa de inspiração científica “Mulheres em campo: desafios e possibilidades”, na manhã de quinta, 16/6, integrou a programação.

Mediado por Luis Lucini, professor de Educação Física do João XXIII, Especialista em Psicologia Esportiva e Doutor em Letras com ênfase nos estudos do corpo, o evento contou com a participação de Pamela Joras, árbitra de futebol7 e professora Mestre pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Luiza Reis, árbitra assistente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF); e Josiele Medeiros, ex-atleta do Sport Club Internacional e professora de Redação da Escola.

Construir conhecimento a partir de diferentes experiências foi o objetivo do encontro, voltado para a 2ª e a 3ª séries do Ensino Médio. “É preciso descristalizar o conceito antigo de aula, porque ela não acontece apenas em sala de aula. A aula está na intenção de transmitir conhecimento, trocar vivências e promover aprendizagens”, diz Luis. 

Envolvidos, os estudantes aplaudiram as falas e a iniciativa. “Atividades como esta são importantes para mostrar a força do futebol feminino. É uma aula de cidadania e de humanidade. Os guris já entram na escola sabendo que haverá a possibilidade de participarem da escolinha de futebol. Nós não. Eu tive que ir atrás de todas as jogadoras da nossa equipe para o nosso time se formar. Nossa sorte é que o Paolo abraçou a ideia”, conta Giovana Freitas, capitã da equipe feminina de Futsal do João XXIII.

Assim como Giovana, Luiza e Josiele, Pamela é ligada em futebol desde pequena e foi na pesquisa que encontrou embasamento para entender a raiz do preconceito em torno do esporte. “O esporte foi feito por homens e para os homens. Antigamente e até 1983, o futebol era proibido para as mulheres. Os homens foram criados para o espaço público, as mulheres para o privado”, assegura.

Apesar dos avanços, a diferenciação entre homens e mulheres continua. A CBF, por exemplo, distingue homens e mulheres por meio de testes físicos, mas “essa barreira não foi suficiente para nos afastar dos jogos masculinos”, afirma Luiza, que esse ano apitou 11 jogos do campeonato gaúcho. “Desses, passei sem erro em 10, porém anulei um gol que não estava impedido e por isso recebi críticas não pelo meu erro técnico, mas por ser mulher”, lamenta.

Foi por ser mulher, que a professora Josiele não seguiu a carreira de jogadora e por isso “espaços como esses são muito importantes para transformar o meu sonho em luta pela igualdade. As meninas podem e devem ocupar o futebol”, afirma. Antes de ser convidada para integrar a equipe de futebol do time da Duda e depois do Inter, Josiele jogava no time da escola. Sem espaço para as meninas, ela atuava no time “misto”. “Me dei conta que aconteceu algo muito importante nesse tempo relacionada ao gênero, porque quando entrava em campo, eu era super masculinizada. Por isso, eu passei anos procurando um padrão para mim”, conta.

Para encerrar o projeto, na próxima terça, 18/6, às 11h20min, está programado um jogo da equipe de futebol feminino da Escola com professoras e funcionárias.