No Colégio João XXIII, o estudo sobre a história da África inicia muito antes do dia 20 de novembro. Nesse ano, ele começou em julho, na apostila de História do 5º ano, chegou na sala de Arte trazendo o calendário Afroafirmativo como referência para possível trabalho e, na segunda, 30 de setembro, promoveu um encontro “potente” entre os estudantes e as duas representantes do projeto Afroativos, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Saint'Hilaire. 

A atividade, realizada no auditório do João XXIII, integra o projeto interdisciplinar de História e Arte do 5º ano sobre o continente africano e personalidades negras. As professoras Thaís Medistsh e Clarisse Normann, respectivamente, são as responsáveis pelas pesquisas e construção dos bustos de argila de personalidades negras do mundo todo. O resultado será exposto na Mostra Cultural, em novembro.    

O calendário Afroafirmativo é apenas uma das iniciativas do projeto da Escola Saint`Hilarie e coordenado pela professora Larisse Moraes. Com o objetivo de ressignificar e empoderar as crianças e os jovens, nas folhas de cada mês, ele apresenta marcos da cultura afro e também as biografias e realizações de personalidades negras. “Na escola de vocês existe um trabalho bacana sobre África, mas isso infelizmente não é regra apesar de ser lei”, lamenta Larisse Moraes, professora e idealizadora do Afroativos.  

Assim como o trabalho do Afroativos, o do João reverbera no comportamento dos estudantes. “Quando eu estudava num outro colégio, eu ia para escola de cabelo preso e capuz, porque muita gente debochava de mim. Aqui é diferente. Todo mundo me respeita”, disse Ana Clara Germano, do 5º E, a menina que foi coroada princesa ao final da interpretação do texto “O pequeno príncipe negro”, por Larisse e a estudante Ginny Lopes, do Afroativos.     

O projeto Afroativos – Solte o cabelo, prenda o preconceito conta com protagonismo direto dos alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Saint'Hilaire, na Lomba do Pinheiro. Criado há dois anos, a ideia é promover empoderamento, conscientização e transformação por meio da educação afroafirmativa.