Psiquiatra fala sobre o impacto das mídias no comportamento de crianças e adolescentes

A tevê, apontada como vilã da infância de meninos e meninas de apartamento, foi substituída pelas mídias interativas, algumas delas preocupantes pelo nível de violências. Entre essas, um jogo e uma série da Netflix – que rondam o tema do suicídio na adolescência– têm tirado o sono de muitas famílias. Para debater o tema, o Colégio João XXIII convidou o psiquiatra Felipe Picon, estudioso do assunto. Na noite de segunda-feira, 8 de maio, ele falou sobre “Os Impactos das mídias no comportamento de crianças e adolescentes: Os casos do Jogo da Baleia Azul e da série ‘13 reasons why’ ”.

A palestra lotou as salas 305 e 306. Didático e sem medo de bater em teclas aparentemente óbvias, Picon traçou um panorama das mídias utilizadas pela meninada, evidenciando a dificuldade dos pais em acompanharem a velocidade dos avanços. É preciso fazer um esforço muito grande para estar atualizado, reconheceu. Sem demonizar os jogos, ele recomendou especial atenção para o risco da exposição precoce à tecnologia, ou seja, o contato de crianças pequenas com algumas mídias mais violentas. Também destacou a necessidade de impor limites no tempo de uso em todas as faixas etárias.

Para Picon, embora as mídias influenciem o comportamento de crianças e adolescentes, os problemas maiores de comportamento não são causados por elas, mas apenas potencializados. Seu enfoque foi, portanto, a prevenção da depressão. Nesse sentido, propôs uma espécie de estratégia por meio dos seguintes pontos: Investimento na educação; Conhecimento da tecnologia utilizada pelos filhos; Estabelecimento de regras claras sobre limites e rotina; Fortalecimento dos laços e convívio familiares; Prática de hábitos saudáveis; Estímulo a interesses diversificados; Cuidados com a segurança e a ética na rede; Identificação dos problemas on-line e off-line; Conscientização sobre a preservação da privacidade na Internet; e Combate ao cyberbulliyng.

Ao final de sua fala, o debate prolongou-se. Mães, pais, educadores e até algum alunos presentes refletiram juntos. E, em meio à preocupação, revelou-se uma consciência coletiva de que o melhor antídoto em a relação familiar saudável marcada pelo diálogo.