Saci Pererê, Deleuze, Valter Hugo Mãe, Antônio Cândido, Conceição Evaristo, Paulinho da Viola e Ítalo Calvino estiveram reunidos a vários outros personagens, escritores e músicos no dia 27 de agosto. O singular encontro, batizado Pausa Poética: I Sarau do João XXIII foi um presente dos/as docentes da área das Linguagens e da Equipe da Biblioteca – com participação de educadores das disciplinas de História e Educação Física - pela passagem dos 56 anos da Escola. 

Os saraus foram inventados pelos gregos e chegaram ao Brasil junto com a família real. Na época, eram eventos requintados e freqüentados apenas por nobres, ricos e artistas eruditos. Ao longo dos anos, despiram o traje a rigor e o esnobismo, tornando-se reuniões de amigos que amam a arte em suas diversas linguagens. Assim, com a mente livre e o coração aberto, aconteceu a Pausa Poética. O projeto propôs um tempo e um espaço para a arte nesta época de incertezas. “É uma reconexão: a poética como estética e ética”, definiu Ianne Godoi Vieira, coordenadora pedagógica do Núcleo da Juventude. 

Um dos trechos literários – da obra “Cidades Invisíveis”, de Ìtalo Calvino - lido pela professora Raquel Leão Luz, deixou claro o quanto é vital a convivência comunitária: “O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.

Eclética, a Pausa Poética teve a bibliotecária Michele Claudino Pires como mestre de cerimônia, reunindo diversas linguagens da arte. Música, por conta dos professores Ana Isabel de Oliveira Maestri, Sérgio Ricardo Santos Júnior e Mateus Zanolla Chaves; Literatura, desenvolvida pelas professoras Josiele Machado Medeiros, Patrícia Dyonisio de Carvalho, Aline Braga de Lima, Ananda Vargas Hilgert, Raquel Leão Luz; vídeos, a cargo de André Luís Fernandes da Rocha (Caju Love) e contação de histórias na voz de Fabiana Oliveira Souza. Entre outras surpresas, os participantes ficaram sabendo – por meio de uma história de Mônica Rocha relatada por Fabiana – que Saci Pererê foi filho de um estupro, tornando-se um moleque insubmisso, punido com a amputação da perna por ter urinado no bule de chá da dona da fazenda onde era escravo. Quem assistiu, também presenciou a explosão de uma “bomba atômica” de rosas, margaridas e crisântemos detonada por Caju na animação “Guerra da Arte”, de sua autoria. 

Quantas janelas foram abertas”, comemorou Ianne, ao final do encontro que, a partir de setembro, será reprisado na última quinta-feira de cada mês. Em breve, serão abertas inscrições para a comunidade escolar, incluindo ex-alunos.